OS VÁRIOS TIPOS DE GAME DESIGN E SUAS ATIVIDADES

Por Gustavo Silveira


Postado em: segunda, 17 de abril de 2017 as 09:21 AM    594 views

Independentemente da área específica de atuação, o importante é que o game designer possua as habilidades necessárias para desenvolver as atividades que lhe forem atribuídas.



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O termo game design tem sido adotado para definir uma ampla gama de atividades, e isso pode causar uma série de dúvidas quanto ao seu real significado. Há quem use o termo para referir-se ao design artístico do jogo, enquanto outros associam o conceito de game design, no contexto dos jogos digitais, diretamente à ideia de programação. Não há dúvidas de que o aspecto artístico do jogo seja importante, assim como a programação, em mídias digitais, mas o game design é uma forma de arte distinta e muito mais antiga do que gráficos poligonais ou mesmo computadores. Na verdade, o desenvolvimento de jogos é uma atividade que vem acompanhando a humanidade há milhares de anos.

Assim como temos vários tipos de jogos, temos também várias formas de game design. Cada uma com uma função específica, mas que conversam entre si. Se misturando e complementando umas às outras no desenvolvimento de um jogo. Vejamos algumas e suas definições, conforme descrito por Brathwaite e Schreiber (2009):

 

- World Design

É a criação do contexto geral que determinará a ambientação do jogo através do desenvolvimento de elementos como o tema do jogo e seu enredo. Esta atividade é fundamental para estabelecer o escopo do projeto, ou seja, aqui criamos o universo dentro do qual o jogo se desenvolverá.

 

- System Design

É a criação das regras e dos padrões matemáticos que fornecem consistência e equilíbrio ao jogo. É uma das poucas tarefas comuns a todos os tipos de jogos, visto que uma das características que definem o conceito de jogo é justamente a presença de regras.

 

- Content Design

É a criação dos elementos que construirão a ambientação do jogo, tais como personagens, itens, puzzles e missões. Embora presente na maioria dos jogos, esta atividade é excepcionalmente importante em videogames, jogos de interpretação (RPGs) e jogos de cartas colecionáveis.

 

- Game Writing

É a criação de diálogos dos personagens, livros, escrituras, lendas e quaisquer outros elementos textuais que enriqueçam e ampliem a história do jogo.

 

- Level Design

É a concepção do espaço no qual o jogo se desenvolve. Incluímos aqui a criação de mapas, o posicionamento de objetos, tesouros e armadilhas, assim como o planejamento dos desafios que o ambiente apresentará aos jogadores. Esta atividade possui características interdisciplinares e está fortemente associada a ideia de fases dos videogames, embora jogadores de RPG há décadas venham criando seus mapas e masmorras em folhas de papel.

 

- Design de Interface

É a atividade responsável pela interação dos jogadores com o jogo. O designer de interface possui duas tarefas fundamentais: planejar a forma de atuação dos jogadores e como se darão as respostas do jogo. No contexto digital podemo exemplificar esta atividades no desenvolvimento dos controles, como meio de atuação dos jogadores sobre o jogo, e nos elementos textuais, iconográficos, sonoros ou táteis que informem mudanças no estado do jogo. Seja um som para a marcação de pontos, uma imagem que indique que o personagem sofreu algum dano ou mesmo a vibração do joystick, para informar que o jogador está em uma zona de risco elevado. Em jogos analógico temos, por exemplo, a preocupação com o tamanho do tabuleiro, para que caiba em uma mesa comum, assim como com as dimensões das cartas, que devem ser facilmente manuseáveis e possuir texto legível. O importante aqui é que todos os componentes do jogo sejam facilmente compreensíveis, manipuláveis e interpretáveis pelos jogadores.

 

Independentemente da área específica de atuação, o importante é que o game designer possua as habilidades necessárias para desenvolver as atividades que lhe forem atribuídas e produzir o jogo, ou as etapas que lhe couberem, para o formato de mídia desejado. Seja um jogo de tabuleiro, um videogame ou mesmo um game show para a TV.

 

Referência:

Brathwaite, B.; Schreiber, I. Challenges for game designers. Boston, MA: Course Technology. 2009.



Autor:

Gustavo Silveira

Entusiasta da educação digital, futurólogo amador e fascinado pela evolução das tecnologias e seus efeitos sobre as relações sociais. Apaixonado por quadrinhos, livros, filmes e videogames, enxerga os jogos como poderosas ferramentas na formação cultural e ensina conceitos fundamentais de programação e Ciência da Computação através do desenvolvimento de games, em cursos presenciais e em seu canal no YouTube."